Elisa Lucinda

Elisa Lucinda

domingo, 10 de outubro de 2010

O Estado laico e o religioso

Em resposta ao jornalista Samuel Celestino sobre sua matéria: 'O Estado laico e o religioso' em A Tarde 10/10/2010 pág. B8

Prezado Samuel Celestino

É justamente em coisas referentes à fé que as igrejas e os evangélicos estão se manifestando nessas eleições, pelo seu artigo vejo que o senhor não consultou nenhum evangélico e não sabe distinguir o que é ou não assunto relacionado à fé. Nos dias atuais, não tem como os evangélicos ficarem trancafiados dentro das igrejas como o senhor gostaria enquanto o estado laico toma decisões que nos afetam.

Quando os evangélicos não se manifestavam nas eleições eram tidos como alienados, agora que estão mais esclarecidos e envolvendo-se na política desse país são acusados de se intrometerem em coisas que não lhes dizem respeito? Não entendi mesmo essa sua posição. Mas já que o senhor desconhece os assuntos que nos dizem respeito e que não tem como os católicos e evangélicos se omitirem como o senhor deseja irei elencar os que o senhor questionou:

O PLC 122/2006, se convertido em lei, conforme compromisso do presidente, acarretará uma perseguição religiosa sem precedentes em nosso país. Vejamos:

  • A proposta pretende punir com 2 a 5 anos de reclusão aquele que ousar proibir ou impedir a prática pública de um ato obsceno (“manifestação de afetividade”) por homossexuais (art. 7°).

Ou seja, caso aconteça num pátio de uma escola evangélica um ato de dois alunos do mesmo sexo se beijarem o professor, o diretor ou qualquer outro funcionário devem ficar de mãos atadas apenas observando ou serão punidos de 2 a 5 anos de reclusão.

Se um pai ou mãe encontrar o filho se beijando com outro do mesmo sexo na rua e ousar proibir ou impedir a continuidade do ato, será preso também. Sendo que sabemos que vários pais e mães proíbem filhas de namorarem com tal rapaz e não é crime, mas se proibirem de namorar outra menina será crime.

  • Na mesma pena incorrerá a dona-de-casa que dispensar a babá que cuida de suas crianças após descobrir que ela é lésbica (art. 4°).

Imagina para um evangélico ter uma babá lésbica em casa enquanto ele está no trabalho e ao passar cenas de pessoas do mesmo sexo se beijando na TV a babá ensina para seu filho que aquilo é normal e dizer que a bíblia é errônea ao afirmar que a prática homossexual é pecado? Que dizer que o pai n ao poderá demitir essa babá senão ficará recluso de 2 a 5 anos de prisão.

  • A conduta de um sacerdote que, em uma homilia, condenar o homossexualismo poderá ser enquadrada no artigo 8°, (“ação [...] constrangedora [...] de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica”).

A Bíblia diz que os efeminados não herdarão o reino de Deus, a Bíblia condena claramente a pratica homossexual e se essa lei for aprovada o sacerdote será proibido de pregar a Palavra de Deus, vários pastores serão presos apenas por praticar a sua fé dizendo que Deus condena tais atos.

  • A punição para o reitor de um seminário que não admitir o ingresso de um aluno homossexual está prevista para 3 a 5 anos de reclusão (art. 5°)

Para entrar num Seminário Batista, por exemplo, a igreja envia uma carta ao Seminário atestando a pessoa faz parte do rol de membros da igreja, que freqüenta regularmente aos cultos e que não tem problemas em relação a pratica da fé. Com certeza um homossexual não será recomendado pela igreja para fazer parte do Seminário e essa lei quer condenar os Seminários e as igrejas com reclusão de 3 a 5 anos. Essa pratica dos seminários não é por causa dos homossexuais e sim por causa da fé.

Caro Celestino, ao afirmar que a política é profana o senhor mostra mais uma vez falta de conhecimento da Bíblia, pois a mesma afirma que não há autoridade que não seja constituída por Deus. E parece desconhecer que o próprio Deus estabelecia os reis e patriarcas do povo judeu.

(Daniel 2:21) - E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos.

Vivemos em um país democrático, caro Celestino, não entendo porque o senhor quer tirar de nós o direito de decidir em quem votar, de acordo com nossas concepções. Nossos princípios são para ser vividos no dia-a-dia de nossas vidas e não dentro dos templos como o senhor se referiu. Quer dizer que enquanto nós devemos ficar trancafiados dentro das igrejas deputados de outros credos podem receber entidades espirituais fazendo orações no plenário?

A igreja católica é reformada com dinheiro do povo, os terreiros de candomblé também estão recebendo dinheiro público, pois se denominam entidades culturais de matriz africana e essas coisas são estabelecidas no legislativo, lá eles conquistaram esses direitos e não trancafiados em seus templos, mas nós evangélicos não podemos nos envolver com política? Professores de história e de antropologia têm dito a nossos filhos negros que eles devem fazer parte do candomblé só porque são negros e a religião é de raiz africana eu sofri preconceito na faculdade de história por ser evangélico.

Sobre o plebiscito, pessoas como o senhor que tem influencia e espaços na mídia irão tentar manipular as pessoas a votarem a favor do aborto e do casamento homossexual, como fizeram no referendo sobre as armas. Sabemos que a maioria da população não dispõe de arma legal e nem tem condições financeiras para isso, mas votaram a favor das armas devido a manipulação que houve.

Quanto às outras propostas que eu também sinto falta no horário eleitoral, não é culpa dos evangélicos e nem dos católicos que elas não estão sendo colocadas em pauta e sim dos próprios candidatos que se empenharam em questões popularidade do atual presidente e currículos pessoais. Vale lembrar meu caro, que a vida para nós evangélicos é mais importante do que qualquer outra questão, é uma pena que para o senhor seja um assunto sem valor que não mereça ser abordado.

Atenciosamente,

Leandro de Assis, escritor e poeta.

Membro do Ministério Internacional do Salvador

Igreja Batista Comunidade da Praia.

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