Elisa Lucinda

Elisa Lucinda

domingo, 10 de outubro de 2010

Drª. Malú Fontes: O que as religiões tem a ver com o código de leis de um país?

Malu Fontes, jornalista, doutora em comunicação e cultura e professora da UFBA não sabe o que o que as religiões têm a ver com o código de leis de um país e por não saber exerce o que ela mesma critica o radicalismo, ao afirmar que os eleitores de Marina Silva são religiosos mais dados ao radicalismo na página 9, da Revista da TV/Jornal A Tarde de hoje (10/10/2010).

Assim como o jornalista Samuel Celestino ela acha que lugar de evangélico é dentro dos salões das igrejas fazendo suas orações sem envolver-se com a política brasileira, ou seja, estão com saudades da época em que pastores diziam que a política é do diabo. Felizmente nos dias atuais, a situação é diferente e nas últimas eleições o crescimento da bancada evangélica no Congresso Nacional foi de 50%.

Estamos espalhados em vários partidos e juntos somos maiores que pequenas legendas que existem nesse país e vamos sim fazer política, pois não somos mais alienados como a senhora Malu Fontes gostaria que fossemos. Caso a jornalista não saiba existem projetos de leis que interferem em nossa fé e prática religiosa e como é que vamos nos opor a estes projetos trancafiados em nossos salões?

Exemplo:

O PLC 122/2006, se convertido em lei, conforme compromisso do presidente, acarretará uma perseguição religiosa sem precedentes em nosso país. Vejamos:

  • A proposta pretende punir com 2 a 5 anos de reclusão aquele que ousar proibir ou impedir a prática pública de um ato obsceno (“manifestação de afetividade”) por homossexuais (art. 7°).

Ou seja, caso aconteça num pátio de uma escola evangélica um ato de dois alunos do mesmo sexo se beijarem o professor, o diretor ou qualquer outro funcionário devem ficar de mãos atadas apenas observando ou serão punidos de 2 a 5 anos de reclusão.

Se um pai ou mãe encontrar o filho se beijando com outro do mesmo sexo na rua e ousar proibir ou impedir a continuidade do ato, será preso também. Sendo que sabemos que vários pais e mães proíbem filhas de namorarem com tal rapaz e não é crime, mas se proibirem de namorar outra menina será crime.

  • Na mesma pena incorrerá a dona-de-casa que dispensar a babá que cuida de suas crianças após descobrir que ela é lésbica (art. 4°).

Imagina para um evangélico ter uma babá lésbica em casa enquanto ele está no trabalho e ao passar cenas de pessoas do mesmo sexo se beijando na TV a babá ensina para seu filho que aquilo é normal e dizer que a bíblia é errônea ao afirmar que a prática homossexual é pecado? Que dizer que o pai n ao poderá demitir essa babá senão ficará recluso de 2 a 5 anos de prisão.

  • A conduta de um sacerdote que, em uma homilia, condenar o homossexualismo poderá ser enquadrada no artigo 8°, (“ação [...] constrangedora [...] de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica”).

A Bíblia diz que os efeminados não herdarão o reino de Deus, a Bíblia condena claramente a pratica homossexual e se essa lei for aprovada o sacerdote será proibido de pregar a Palavra de Deus, vários pastores serão presos apenas por praticar a sua fé dizendo que Deus condena tais atos.

  • A punição para o reitor de um seminário que não admitir o ingresso de um aluno homossexual está prevista para 3 a 5 anos de reclusão (art. 5°)

Para entrar num Seminário Batista, por exemplo, a igreja envia uma carta ao Seminário atestando a pessoa faz parte do rol de membros da igreja, que freqüenta regularmente aos cultos e que não tem problemas em relação a pratica da fé. Com certeza um homossexual não será recomendado pela igreja para fazer parte do Seminário e essa lei quer condenar os Seminários e as igrejas com reclusão de 3 a 5 anos. Essa pratica dos seminários não é por causa dos homossexuais e sim por causa da fé.

Para a jornalista, um “plebiscito não é instrumento para definir os rumos que um país deva dar”, concordo plenamente com isso, pois se no Brasil pudesse haver um plebiscito para definir se aceitaríamos ou não a pena de morte, não tenho dúvidas de que grande parte da população iria votar a favor, ainda bem que nossa Constituição não permite a pena de morte.

Ao falar sobre o aborto Fontes nem se quer verificou quais são os líderes religiosos que são contra ou a favor do aborto, pois citou Edir Macedo em seu artigo, todos sabem que este bispo defende o aborto menos a ela. Inclusive ela não sabe que decidir sobre um feto não é decidir sobre o corpo da mulher e sim sobre a vida de outro ser vivo, é melhor ela consultar Dr. Eusimar Coutinho ou pesquisar mais sobre aborto antes de falar bobagens.

Para finalizar, sou um leitor assíduo de tudo que escreve a Drª Malú Fontes, tanto no Jornal A Tarde, quanto no site da Metrópole FM e apesar de não concordar dessa vez com suas idéias continuarei lendo e recomendando a todos, pois não sou nenhum extremista religioso como se pensa dos evangélicos que votaram em Marina Silva ou dos evangélicos em geral.

Leandro de Assis, Escritor e poeta

Membro da Igreja Batista Comunidade da Praia

Um comentário:

sara lopes disse...

Bravo!
É fácil confundir postura firme,definida por principios rigidos com extremismo e, por sua vez é menos trabalhoso generalizar grupos ao inves de ouvir seu discurso, levando em conta os valores defendidos por uma sociedade democratica.
Somos preconceituosamente taxados de extremistas, radicais, intolerantes, e daí pra baixo;
mas o que vejo por tras desse projeto PLC 122/2006, é exatamente uma mordaça que o Movimento LGBT do Brasil pretende colocar na sociedade. Mas Graças a Deus que estamos mesmo saindo dos templos para ser crentes na sociedade.