Elisa Lucinda

Elisa Lucinda

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Travesseiro PET


Passeando pelo Morro do Cristo, observei o mendigo deitado à sombra de um coqueiro na maior liberdade e tranqüilidade de um dos locais mais lindos da cidade. Próximo a ele, havia uma dupla de policiais fazendo o policiamento ostensivo, lhe garantido a tranqüilidade, além de casais de namorados que também estavam deitados desfrutando da beleza do local.

Não tinha como deixar de fazer a comparação entre quem estava deitado ali para curtir um momento de lazer e quem estava deitado para descansar da vida, do cansaço de viver a cada dia sem saber o que será do amanhã, sem perspectivas, a não ser a de conseguir um prato de comida para sobreviver nessa cidade que, apesar de linda, ostenta um dos piores índices nacionais em desigualdade social e desemprego.

A minha conclusão da comparação entre eles, é que tanto o rico como o pobre ou aquele que tem uma melhor condição e o que não tem nenhuma condição de sobrevivência a não ser a mendicância, pode desfrutar do que Deus deixou para toda a humanidade, a natureza. O Céu seja azul durante o dia ou numa noite estrelada, o mar, as paisagens naturais, a brisa e a sombra dos coqueiros.

Porém, chegará um momento em que os casais repousarão em seus lares e deitarão em suas camas box e travesseiros ortopédicos enquanto aquele pobre mendigo levara a garrafa pet com água para beber que também lhe serve como travesseiro para outro local, a fim de se proteger do frio da noite e das maldades humanas, até que chegue o dia seguinte e ele possa desfrutar daquilo que Deus deixou para ele, a natureza.
Foto: Leandro de Assis

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