Elisa Lucinda

Elisa Lucinda

sábado, 26 de dezembro de 2009

Salvador e seus bairros


Seja num ponto de ônibus ou num programa de televisão nos surpreendemos com os nomes de alguns bairros em Salvador e até mesmo fazemos piadas com seus nomes chacoteando os moradores, claro que sem preconceito, sem desmerecer os residentes. Como exemplo, cito o bairro Pau Miúdo, dizem que o nome se deve ao tamanho do pênis dos moradores de lá. Porém cuidado ao afirmar isso na frente de um deles, pois pode querer provar o contrário.
Outros moradores de bairro que levam o pau, é o Pau da Lima, já os moradores de lá dizem ser melhor ser do Pau da Lima do que ter o pau miúdo. Dos moradores das Cajazeiras dizemos que sofrem de isolamento, pois dificilmente conseguem encher a casa de amigos de outros bairros em suas festas de aniversários, apesar do bairro pertencer a Salvador dizemos que faz parte do interior devido a distância do centro da cidade, sem contar que são “mais de trinta” Cajazeiras, só quem mora lá pra saber em qual delas está. Tudo bem, não são mais de trinta, mas você sabe quantas são? Se souber é morador de uma delas. Sem contar que dizem que a 09 não existe, pula de 08 pra 10.
Ainda temos bairros com nomes estranhos como Calafate e Calabetão e os com nomes engraçados como Vale da Muriçoca, Altos das Pombas, Congo, Planeta dos Macacos, Baixa da Égua, Baixa do Tudo e Queimadinho, temos também Santa Cruz, Bairro da Paz que também são famosos pela violência e pelo tráfico de drogas apesar de terem nos nomes a cruz e a paz.

Tem muitos outros bairros com nomes engraçados, exóticos ou que são motivos de piadas ou contradição, vou deixar que vocês leitores deste blog possam contribuir com esses nomes, mesmo que sejam de outras cidades/estados, e aí vamos lá?!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Deu merda


Estava curtindo o sol na praia do Farol da Barra e a todo o momento passava por mim vendedores ambulantes vendendo queijo coalho, fiquei com medo de comprar, porém o cheiro que subia dos queijos sendo assados na brasa para as pessoas ao redor me deixava louco de vontade, então não pude resistir, apesar do medo de ter uma dor de barriga. Afinal o sol estava de rachar e essa é uma das praias onde o calor é mais intenso devido ao muro de pedra que separa a areia do asfalto, um pouco acima do nível da areia.


Sabe aquele ditado: “dor de barriga não dá um vez só”, pois é Já perdi as contas de quantas vezes tive uma, sou um servo da latrina sempre que ela me chama eu compareço o problema é que ela só chama nos momentos mais inusitados, lembro de uma vez ainda adolescente quando pela manhã peguei um buzú lotado pra ir à escola no bairro da Ribeira e apenas alguns pontos após a dor de barriga chegou, nossa eu suava frio, tinha vertigem e arrepios constantes, pedia a Deus pra chegar logo na escola. Nesse momento você confessa todos os seus pecados e pede perdão a Deus.


Quem já passou por isso sabe do que estou falando, é assim mesmo. Quando estava chegando próximo a escola, faltando uns três pontos apenas senti que não conseguiria chegar lá e pensei, “deu merda”. Saltei correndo do buzú e invadi o Shopping da Ribeira que ainda estava fechado aquele horário, passei correndo pelo segurança que me seguiu desesperado e eu mais ainda e gritando “não sou ladrão só preciso ir ao banheiro” e ele me mandando parar... imagina... Parar uma porra pensei... Entrei no banheiro e sentei no trono amigo, sim nesse momento ele é amigo.


O segurança veio com uma conversa dizendo que infelizmente eu não poderia permanecer no local, creio que não acreditava que realmente eu estava com dor de barriga ou diarréia, até que ele ouviu uma explosão daquelas - acredite - eu estou contando isso, então ele saiu do banheiro e me deixou concentrar em paz, deve ter ficado com pena de mim. Ainda bem, pois cagar conversando é dose.


Ah não venha me dizer que você defeca, todo mundo caga, ninguém defeca ou faz fezes, caga mesmo, afinal se não cagasse ninguém seria chamado de cagão ao fazer nas calças. Enfim, esse queijo coalho me fez relembrar este momento cômico da minha vida, pois passei minha tarde todinha sem poder sair do Shopping Center Lapa, pois lá havia vários tronos amigos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Travesseiro PET


Passeando pelo Morro do Cristo, observei o mendigo deitado à sombra de um coqueiro na maior liberdade e tranqüilidade de um dos locais mais lindos da cidade. Próximo a ele, havia uma dupla de policiais fazendo o policiamento ostensivo, lhe garantido a tranqüilidade, além de casais de namorados que também estavam deitados desfrutando da beleza do local.

Não tinha como deixar de fazer a comparação entre quem estava deitado ali para curtir um momento de lazer e quem estava deitado para descansar da vida, do cansaço de viver a cada dia sem saber o que será do amanhã, sem perspectivas, a não ser a de conseguir um prato de comida para sobreviver nessa cidade que, apesar de linda, ostenta um dos piores índices nacionais em desigualdade social e desemprego.

A minha conclusão da comparação entre eles, é que tanto o rico como o pobre ou aquele que tem uma melhor condição e o que não tem nenhuma condição de sobrevivência a não ser a mendicância, pode desfrutar do que Deus deixou para toda a humanidade, a natureza. O Céu seja azul durante o dia ou numa noite estrelada, o mar, as paisagens naturais, a brisa e a sombra dos coqueiros.

Porém, chegará um momento em que os casais repousarão em seus lares e deitarão em suas camas box e travesseiros ortopédicos enquanto aquele pobre mendigo levara a garrafa pet com água para beber que também lhe serve como travesseiro para outro local, a fim de se proteger do frio da noite e das maldades humanas, até que chegue o dia seguinte e ele possa desfrutar daquilo que Deus deixou para ele, a natureza.
Foto: Leandro de Assis